Imagens mostram veículos da Transporte Rodoviário Nordestino levando troncos das árvores cortadas - 20/07/2018

Máquinas de transportadora arrancaram árvores em Potilândia

 O PORTAL NO AR seguiu a investigação do caso das 10 árvores cortadas em Potilândia, zona sul de Natal, entre 17 de junho e 15 de julho, após o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte (TJRN) negar que seria o responsável pela ação, ao contrário do que havia sido informado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).

A reportagem esteve na obra que fica ao lado do complexo judiciário instalado no bairro. Um homem que juntava pequenos blocos de concreto construindo, assim, a calçada sobre os buracos deixados pela extração das árvores informou que o prédio em construção abrigará “os serviços do Ministério do Trabalho (e Emprego)”. Nas costas do uniforme azul, o nome do Grupo A. Cândido estava estampado.

Em contato com o gabinete do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta sexta-feira, 20, uma conversa com a superintendência do órgão foi agendada. Entretanto, o contato não foi mais correspondido.

 Marca do Grupo A. Cândido está estampada na camisa de funcionários da obra (Foto: Norton Rafael)

 Marca do Grupo A. Cândido está estampada na camisa de funcionários da obra (Foto: Norton Rafael)

 O Grupo A. Cândido, estampado nas camisas dos funcionários da obra, conforme se nota no site da organização, é um conglomerado de 14 empresas ligadas a Agnelo Cândido de Nascimento. De acordo com o TJRN, é ele o locador do prédio que abriga o complexo judiciário e, como informado por moradores, também é o dono do espaço ao lado, o que está em construção e de onde as árvores foram arrancadas.

A reportagem questionou aos trabalhadores sobre a retirada das árvores. “Não sei. Vim da Paraíba, e a gente começou a trabalhar aqui na segunda-feira”, respondeu o homem, citando o começo dos trabalhos como sendo um dia após o domingo em que a última árvore foi arrancada.

A história de que o serviço do Grupo A. Cândido se iniciou na segunda-feira é negada pelos moradores. “Quê? Eles estão aí há pelo menos três meses. Pode ser que mudem os homens, mas a empresa é a mesma”, declarou uma moradora da região ouvida pela reportagem.

De fato, fotos feitas pela jornalista e mostradas à reportagem, exibem um caminhão com a marca ‘Transporte Rodoviário Nordestino’, mais uma empresa do Grupo A. Cândido, e que foi aberta em Cabedelo, na Paraíba, em 1982. É do estado vizinho de onde os trabalhadores dizem ter vindo.

 Imagem mostra caminhão da Transporte Rodoviário Nordestino recolhendo as árvores arrancadas

 A reportagem fez o contato com a Transporte Rodoviário Nordestino na tarde desta sexta, através do número disponibilizado no próprio site da empresa. De acordo com um funcionário, que não se identificou, a transportadora atua, somente, com transporte de combustíveis, material que não seria transportado em uma caçamba. Segundo ele, não há registro de transporte de árvores ou materiais do tipo.

Em consulta à Receita Federal, a Transporte Rodoviário Nordestino aparece como especializada em “transporte rodoviário de produtos perigosos”. O funcionário ainda afirmou que desconhece que a empresa esteja atuando no Rio Grande do Norte, onde o empresário Agnelo Cândido de Nascimento, sócio administrador da transportadora, é conhecido pelo ramo empresarial.

O PORTAL NO AR não conseguiu contato com o Grupo A. Cândido nas tentativas feitas entre as tardes dessa quinta-feira, 19, e sexta-feira, 20. O Ministério do Trabalho e Emprego também não respondeu sobre o pedido de entrevista.

Respeito ao meio ambiente 

A extração das árvores em Potilândia diverge dos conceitos estratégicos que o Grupo A. Cândido diz seguir no site oficial da organização. “A Política Ambiental de todas as empresas do Grupo A. Cândido estabelece princípios no tratamento das questões socioambientais associadas às atividades exercidas”, afirma o texto.

Apesar desta preocupação ambiental, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) afirma que não aprovou nenhum pedido de remoção das árvores. Os moradores temem que outras plantas que estão próximas do local da obra sejam também arrancadas. Fonte Portal Noar.

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Comentários

disse:

em 31/12/1969 - 09:12